A proibição das bets anunciada pelo governo federal nesta sexta-feira (25) terá impacto direto nas receitas comerciais dos clubes brasileiros. A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva determina o fim da oferta, intermediação e publicidade de apostas no Brasil, incluindo os patrocínios esportivos.

Na Série A, 14 clubes contam ao menos com uma casa de apostas como patrocinadora principal. Os valores dos acordos mostram o tamanho da participação do setor no futebol brasileiro: o Flamengo recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano, enquanto Corinthians e Palmeiras aparecem na sequência, com R$ 150 milhões e R$ 100 milhões, respectivamente.

No caso do Flamengo, o contrato representa cerca de R$ 22,4 milhões por mês quando o valor anual é dividido por 12 meses. O clube tem um custo anual de R$ 696 milhões com salários, direitos de imagem e bonificações, o equivalente a R$ 58 milhões mensais pela mesma metodologia. Dessa forma, o patrocínio da casa de apostas corresponde a aproximadamente 38,6% desse valor mensal.

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O Corinthians também tem uma parcela significativa da folha representada pelo contrato. Os R$ 150 milhões anuais da Esportes da Sorte equivalem a R$ 12,5 milhões por mês. Com custo de R$ 571 milhões com o elenco (R$ 47,6 milhões mensais na divisão por 12). Assim, o acordo representa aproximadamente 26,3% do gasto mensal calculado com salários, direitos e bonificações.

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Palmeiras e São Paulo aparecem em outro patamar, mas ainda com valores relevantes. O contrato de R$ 100 milhões do Alviverde corresponde a R$ 8,3 milhões mensais, diante de uma folha anual de R$ 591 milhões, enquanto o acordo de R$ 95 milhões informado para o Tricolor representa R$ 7,9 milhões por mês, frente a um custo anual de R$ 405 milhões. Nas duas situações, os patrocínios equivalem a cerca de 16,9% e 23,5% das respectivas folhas mensais.

Entre os demais clubes, Atlético-MG e Botafogo teriam R$ 5 milhões e R$ 4,6 milhões mensais, respectivamente, com os contratos de H2Bet e VBet. Fluminense e Santos aparecem com R$ 4,3 milhões e R$ 2,9 milhões, enquanto Cruzeiro e Vasco teriam R$ 3,5 milhões e R$ 2,1 milhões por mês. Nos clubes com folhas menores, o peso proporcional é ainda maior: R$ 1 milhão mensais do Remo superam o custo médio mensal de R$ 583 mil calculado para a folha, enquanto os R$ 1,7 milhão do Vitória também ultrapassam os R$ 758 mil mensais destinados ao elenco.

O cenário evidencia a dimensão financeira que os contratos com casas de apostas alcançaram no futebol brasileiro. Somente na Série A, os investimentos das bets em receitas comerciais chegaram a R$ 1,03 bilhão, segundo dados da Sports Value citados.

— Realmente o impacto imediato vai ser altíssimo, principalmente porque as cotas de patrocínio não são fáceis de você negociar rapidamente contratos que estão inflacionados. Se a gente pensar nas bets hoje, elas pagam muito mais do que vale a cota; nem o retorno dos clubes compete tanto de Flamengo como de outros clubes, está completamente fora da realidade. Eram contratos que até pouco tempo era de trinta, quarenta, cinquenta milhões e agora têm contrato acima de duzentos milhões por ano, então o impacto vai ser grande — comenta Amir Somoggi, diretor da Sports Value.

Cabe ressaltar que os valores pagos pelas bets não são, necessariamente, destinados aos salários dos clubes. A comparação serve como referência para dimensionar o peso dos acordos nas despesas das equipes