Quando o Fluminense contrata Hulk e Thiago Silva está dizendo ao garoto da base de Xerém que ele não terá espaço no time profissional

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo foi precoce para alguns, mas não para mim, que venho atestando a morte do nosso futebol a cada ano que passa. Quem me acompanha aqui neste espaço sabe o quanto eu cobro por qualidade, por equipes bem montadas, com valorização de jogadores da base, que sempre foi o nosso forte. Quando o Fluminense, por exemplo, contrata Hulk e Thiago Silva, de 41 anos, está dizendo ao garoto da base de Xerém que ele não terá espaço no time profissional. Quando a bola rola menos de 45 minutos, os jogadores estão dizendo ao público que estão praticando o antijogo. Quando eles se agridem, formam um cordão em torno do árbitro, estão dizendo que estão abrindo mão da técnica, que não têm mais, em prol da mediocridade. Vivemos um futebol doente, que, alguns imaginam, vai se recuperar para 2030, mas que não vai passar de outra ilusão.

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Vejo uma CBF comandada por partidos políticos e até por ministros, segundo denúncias, jamais rebatidas por Gilmar Mendes e seu filho, Francisco Mendes. “Quem cala consente”. Gente que nunca deu um chute na bola e que lucra com a entidade, através do Instituto de cursos. Precisamos colocar no comando ex-jogadores gestores, como Gilberto Silva, Ronaldo e Kaká. Enquanto existirem as federações, com peso 3 na votação, essa “panela” não dissolverá e vai continuar arruinando o futebol do país. Enquanto os clubes não voltarem a valorizar as categorias de base, formando jogadores aqui e parando de repatriar ex-jogadores em atividade, nada mudará. É inadmissível os clubes quebrados pagando R$ 2 milhões mensais, a jogadores veteranos, que nada mais acrescentam ao nosso futebol. Isso é vergonhoso!

O pior é que veremos estádios cheios, mesmo com ingressos caros, pois o público do futebol mudou. Hoje os caras que vão aos jogos nem sabem que a bola é redonda e que o árbitro não toca nela, porque ele é o juiz. Um público de camarote, do champagne e do caviar. Aquele povão que via os jogadores nascerem nas divisões de base foram alijados do espetáculo. Os clubes deveriam ter um setor mais barato, para os torcedores de verdade. Se não me engano, Cruzeiro e Atlético têm no Mineirão e na Arena MRV. Nosso futebol está maltratado, nas mãos de alguns dirigentes inescrupulosos, que misturam o cartão corporativo com o seu próprio e fazem gastos do dinheiro que não lhes pertence, e depois de pegos, dão as desculpas mais esfarrapadas. São aqueles que jogam a sujeira para debaixo do tapete.

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Mas não se assustem. Nada vai mudar no futebol do país do faz de conta. A CBF traça planos para o hexa em 2030. Os “torcedores” vão acreditar e darão mais um voto de confiança. A Seleção Brasileira vai recomeçar seu ciclo enfrentando a Austrália, nos amistosos caça-níqueis. Ou seja, nada mudou. Precisamos enfrentar os europeus, que nos batem e nos eliminam desde 2006. E, para falar a verdade nua e crua, ninguém está nem aí para a seleção. Se ela jogar ou não, pouco importa. Não temos jogadores de qualidade, o técnico é italiano e retranqueiro, e só pioramos. Tenho esperança de que Ancelotti desista – parece que a mulher dele quer que ele pare. Seria um ótimo recomeço, pois como escrevo há anos, ele só venceu nos gigantes europeus. Quando tem em mãos jogadores de qualidade duvidosa, fracassa, como fez no Napoli, Everton e Seleção Brasileira. São 28 anos sem ver a cor da taça, o maior jejum da nossa história. Preparem-se para mais, não acredito no projeto CBF.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema