O impedimento semiautomático começa a valer no Campeonato Brasileiro a partir deste sábado (11/7), na abertura da 20ª rodada. A tecnologia promete tornar as revisões do VAR mais rápidas e precisas, mas ainda gera dúvidas entre torcedores sobre como funciona na prática.
A tecnologia, que já foi utilizada em competições como a Copa do Mundo de 2022 e atualmente faz parte de ligas como a Premier League. Ela cria uma reprodução tridimensional da jogada — semelhante ao que acontece em um jogo de videogame de futebol. A partir desse modelo virtual, o sistema identifica automaticamente a posição dos jogadores e traça as linhas de impedimento para verificar a posição do atacante em relação ao penúltimo defensor.
Na prática, o sistema utiliza entre 28 e 32 câmeras de alta velocidade instaladas ao redor do estádio para acompanhar, em tempo real, a movimentação da bola e dos jogadores. As imagens são processadas por um software que cria uma reprodução tridimensional da partida e identifica automaticamente a posição dos atletas no momento exato do passe.
É justamente nesse ponto que está a principal diferença em relação ao método utilizado até hoje. Antes, um operador do VAR precisava definir manualmente o instante do toque na bola e traçar as linhas de impedimento. Com o novo sistema, essas etapas passam a ser realizadas automaticamente, reduzindo o tempo da análise e diminuindo a possibilidade de erro humano na marcação das linhas.
Depois de identificar o momento do passe, o software recomenda o ponto de contato com a bola, traça as linhas de impedimento e gera uma animação em 3D que ilustra a decisão. Apesar da automação, a palavra final continua sendo da equipe de arbitragem de vídeo. É por isso que a tecnologia recebe o nome de impedimento semiautomático. O sistema acelera e automatiza parte do processo, mas a validação da jogada permanece sob responsabilidade dos árbitros do VAR, que confirmam se todas as informações geradas pelo software estão corretas antes da decisão ser comunicada em campo.
Caso a tecnologia apresente alguma falha, o protocolo prevê o retorno imediato ao procedimento tradicional. Se o problema ocorrer antes da partida, árbitros, clubes e equipes de transmissão serão informados de que a análise de impedimentos será feita com o traçado manual das linhas. Se a falha acontecer durante a revisão de um lance, o operador comunica a equipe do VAR, que passa a utilizar o método convencional para concluir a checagem.
Segundo a CBF, o impedimento semiautomático tem margem de erro de aproximadamente um centímetro na marcação da linha de impedimento.
A entidade também desenvolve softwares para auxiliar a Comissão de Arbitragem na definição e na gestão das escalas dos árbitros para cada rodada. O objetivo é tornar o processo mais ágil e transparente na relação com os clubes. Atualmente, as designações são feitas com base na análise de um sistema de planilhas que reúne o histórico dos árbitros nos últimos cinco anos e o tempo de atuação em cada competição.
Além do impedimento semiautomático, o Campeonato Brasileiro deve adotar, a partir da 23ª rodada, as novas regras da Fifa utilizadas na Copa do Mundo de 2026. A implementação ainda depende da aprovação dos clubes em uma reunião marcada para o dia 10 de agosto.
Na Libertadores, as mudanças passam a valer a partir das oitavas de final, que começam em 11 de agosto. A única exceção será a chamada "Lei Vini Jr.", regra que prevê a expulsão de jogadores que tapam a boca durante discussões com adversários.
Segundo a CBF, as alterações têm como objetivo reduzir a cera, acelerar a reposição de bola e tornar as partidas mais dinâmicas