A despeito do atraso, é bem-vinda a adoção do impedimento semiautomático, a partir deste sábado, na Série A do Campeonato Brasileiro. Prometida pela CBF no ano passado, a novidade, que dá maior rapidez e transparência às checagens, estreia com a competição já em andamento. Não há dúvida de que representará um avanço em relação ao modelo atual, em que se leva um tempo enorme para traçar as linhas das posições dos atletas, retardando a partida. Nada mais frustrante para jogadores e torcedores do que pausar a comemoração do gol à espera do veredito do VAR.
É verdade que não será exatamente igual ao sistema usado pela Fifa na Copa do Mundo, em que um sensor na bola, aliado a outras ferramentas tecnológicas, permitia saber quase imediatamente se o jogador estava impedido. Mas é provável que melhore bastante. A empresa que presta serviço à CBF é a mesma que atua na Premier League, da Inglaterra, além de ligas da Bélgica e do México. O modelo é usado em pelo menos 65 estádios no mundo todo. Nas arenas onde foi implantado, houve redução média de 33% no tempo de análise em relação ao VAR tradicional.
O sistema funciona com um aparato tecnológico que inclui câmeras de última geração instaladas nos estádios e um software que rastreia os atletas e a bola em tempo real, captando cem quadros por segundo. Assim, são identificados os jogadores de ataque e de defesa mais próximos da linha de fundo e o ponto do último contato com a bola. Tudo precisa ser validado pelo VAR.
A tecnologia representa um ganho para o futebol, embora, por vezes, seja criticada sob alegação de interferência excessiva. Mas trata-se de uma tentativa de tornar as decisões mais justas. Na Copa de 1986, pré-VAR, o craque argentino Diego Maradona fez um gol de mão que foi validado pela arbitragem (ele chamou de “a mão de Deus”).
Esses avanços tecnológicos são bem-vindos, mas resolvem apenas parte do problema. A maior responsabilidade continua sendo dos árbitros. E aí a situação se complica. No último Brasileirão, erros grosseiros acabaram monopolizando as atenções em detrimento do jogo. Nem quadros da Fifa escaparam de punições pelas patacoadas. Houve casos em que, mesmo chamados pelo VAR, mantiveram a decisão. É preciso prepará-los melhor para atuar com e sem a ajuda da tecnologia.
Iniciada a implantação do impedimento semiautomático, a CBF deverá agora acelerar a adoção de outras regras que se mostraram bem-sucedidas na última Copa. Uma delas é o combate à “cera”, as manobras feitas pelos atletas para retardar o jogo quando estão em vantagem, com medidas como os cinco segundos para cobrar lateral e tiro de meta, dez segundos para sair de campo em substituições, e um minuto fora de campo após atendimento médico. Por ora, a expectativa é que a norma seja implementada a partir da 23ª rodada do Brasileirão. É fundamental que o país adote as melhores práticas em vigor no mundo. Quem mais ganhará com isso é o torcedor, que assistirá a partidas mais justas e menos enfadonhas