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“Mitos não alimentam”: João Cardoso desmonta mitos ligados à agricultura e à alimentação: o biológico tem químicos, o natural nem sempre faz bem, antigamente os alimentos não eram mais seguros.
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Temos o cianeto, a botulina, o veneno dos sapos ou das serpentes, por aí fora.
Podem ser mortais e altamente tóxicas. E temos coisas sintéticas que nos salvam a vida, como o cloro. Quantos milhões de vidas o cloro não salvou no tratamento das águas, por exemplo?
Exatamente. Numa altura em que a população mundial não para de crescer, a disponibilidade de solos é menor e há uma necessidade urgente de produzir alimentos de forma cada vez mais eficiente, segura e consciente. E agora que a agricultura voltou ao centro do debate europeu, vamos combater alguns mitos mais comuns ligados à agricultura e à alimentação. Porque biológico não é sinônimo de sem qualquer químico. Antigamente, os alimentos não eram mais seguros. Organismos geneticamente modificados não são necessariamente perigosos. Alimentos biológicos não têm automaticamente mais vitaminas ou minerais. O que é natural pode ser venenoso e o sintético, às vezes, salva-vidas. A agricultura ainda é erradamente vista por muitos como pouco inovadora, um setor atrasado, usa a água de forma irresponsável e é a principal causa das alterações climáticas. E os pequenos agricultores não são sempre mais sustentáveis. Para desmontar estes e outros mitos, convidei João Cardoso. Ele é diretor-executivo da CropLife Portugal, Associação da Indústria da Ciência para a Proteção das Plantas, que nos vem desmontar alguns mitos que estão comumente ligados à agricultura e à alimentação. Olá, João, e bem-hajas por ter aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.
É verdade, João, que um tomate tem mais tecnologia que um iPhone?
Eu vi esta frase e pensei: "Claro que isso deve incluir tudo o que é investigação genética do melhor tomate e depois das culturas e da rega. Deve estar isso tudo incluído aqui, não é?"
O autor dessa frase é do Mullet, que é um bioquímico espanhol, que dedicou muita da sua carreira a desconstruir muitos dos mitos ligados à agricultura e à ciência da alimentação. E de facto, ele sintetiza isso tudo nessa frase, que é: "Um tomate tem mais tecnologia que um iPhone". Isso é verdade, se olharmos para todo o caminho que um tomate faz ou qualquer variedade. Tem anos e anos de seleção de variedades.
Exatamente. Portanto, toda a ciência por trás da agricultura, desde a gestão da umidade, à preparação do solo, toda a agricultura regenerativa e de conservação. Depois, a proteção das culturas, que tem uma imensidão de ciência por trás e já lá vamos falar disso, certeza.
E depois olhando para a frente do que é a agricultura, toda a distribuição, cadeia de frio, gestão de dados.
Para chegar em boas condições, até chegar ao consumidor, à mão do consumidor, ao prato do consumidor.
Com o maior segurança possível. Portanto, tudo isso tem a quantidade de gente e a quantidade de tecnologia que está por trás disso.
É extraordinário. Tenho que cortar isso, João. Tu és engenheiro de ambiente, és mestre em engenharia sanitária, tiraste um mini MBA em finanças empresariais e fiscalidade aplicada e depois especializaste, na Nova SBE, também, em agribusiness e sustentabilidade. É muito curioso, porque este teu apelo, tu és a pessoa mais bem informada pelo lugar onde estás. Este apelo da agricultura vem de onde? Tua família já cultivava coisas em Loures?
Não, não cultivava. Os meus familiares não são agricultores, contudo, ao longo da vida, sempre fui um pouco rodeado de agricultura, quer no sítio onde passava férias, perto de Torres Vedras, por exemplo. Que ainda temos lá uma casa. E desde novo, sempre estive rodeado de pêras, de vinha, por aí fora. Portanto, o meu primeiro trabalho foi vindima, por exemplo. E depois estudei no ISA. E logo aí temos contacto com o Instituto Superior de Agronomia.
Eu, apesar de ser de ambiente, partilhar cadeiras também com o tronco comum de agronomia. Portanto, logo aí essa troca de experiências, quer com colegas, quer com professores, com colegas mais velhos também, vai-se absorvendo aquilo um pouco que é a agricultura. Por outro lado, as disciplinas de ambiente permitem tocar em muitas das áreas da sociedade, e a agricultura é uma delas e tendo tirado a licenciatura no ISA, obviamente que o contacto é muito direto e isso acabou por me preparar um pouco, não para ser agrônomo, mas para conseguir dialogar de alguma forma com a agricultura.
Com este setor. Uma escola extraordinária, tem um hectare de vinha, por exemplo, as pessoas não têm noção, em plena Lisboa, da riqueza que é aquele campus do ISA.
Precisamente, são cerca de 100 hectares, se não estou em erro, onde existe vinha, pomares, um olival, até.
Onde se faz o cultivo de cereais e também outras hortícolas e outras experimentações que existem, portanto, vão rodando conforme o interesse das cadeiras. E de facto, dentro do próprio campus, que são 100 hectares, é um pulmão agrícola dentro da área de Lisboa.
E é excelente para as pessoas terem o contacto com a agricultura