Carlo Ancelotti "foi uma vergonha" na seleção brasileira e "não deixou nada" com a participação na Copa do Mundo 2026, afirmou José Trajano no Posse de Bola, do Canal UOL.
Ao discutir o peso de processos mais longos em outras seleções, o comentarista disse que o Brasil se frustrou com a aposta em um técnico estrangeiro sem tempo para realizar um ciclo completo de Copa e sem enraizamento no futebol nacional.
Nós temos que retomar essa conversa. Agora não dá para retomar porque tem contrato até 2030. Mas foi uma vergonha. Ele não deixou nada. A expectativa em torno dele era imensa. Um técnico vitorioso, ganhou, foi campeão em todas as ligas importantes da Europa, um sujeito que sabe lidar com grupo. E o que a gente faz agora? Nós temos um técnico estrangeiro que se deu mal, nos colocou em 11º lugar na classificação da Copa que ele dirigiu a seleção brasileira e tem contrato até a próxima Copa. É para insistir com ele ou começar do zero?José Trajano
Trajano disse que a discussão vai além do "rótulo" de estrangeiro e passa por conhecer a cultura futebolística do Brasil. Para ele, um treinador de fora poderia funcionar se tivesse histórico de seleções e um plano de longo prazo, incluindo base e formação.
Talvez a gente se concentrasse mais na nossa história, mais nos nossos sentimentos, mais nos nossos conhecimentos. Esquecer essas coisas, essa ideia de técnico estrangeiro. A não ser que esse técnico estrangeiro fosse um técnico habituado a lidar com seleções e Copas do Mundo e tivesse um planejamento para cuidar da base, um trabalho a longo prazo de formação.José Trajano
Danilo Lavieri destacou a falta de paciência no Brasil e disse que técnicos elogiados fora poderiam "não sobreviver" na seleção. Ele citou Lionel Scaloni e Luis de la Fuente, das finalistas Argentina e Espanha, respectivamente, apontando que ambos seriam "massacrados" no país diante de tropeços e entrevistas que relativizam a derrota.
Nem o Scaloni nem o De La Fuente sobreviveriam no Brasil. O Scaloni, quando perde a primeira Copa América, já teria sido demitido. A gente não tem a calma do processo. No Brasil o Ancelotti já virou ultrapassado e tem um monte de coisa que a gente discute aqui porque nós não temos nenhum tipo de paciência para um processo que precisa.Danilo Lavieri
Luiza Oliveira reforçou que "não tem garantia de ganhar de nenhuma forma" e defendeu que a seleção precisa escolher um caminho, mesmo com risco de derrota. Na comparação com a Argentina, ela disse ver uma identidade mais clara e um trabalho de continuidade que ajuda a blindar o elenco.
Não tem garantia de ganhar de nenhuma forma. É melhor você perder tentando colocar algo da sua ideia, da sua identidade, ou você perder com 35% de posse de bola? O quanto você está mais perto de vencer? Se você acreditar em algo ou se você não acreditar em nada, é só ir mudando e contratando um treinador.Luiza Oliveira
Trajano retomou o tema, disse estar "muito decepcionado" e afirmou não apoiar a continuidade de Ancelotti. Ele também citou a discussão sobre nomes que já trabalham no Brasil, como Abel Ferreira, e disse que preferia Jorge Jesus pela familiaridade com o futebol local.
Eu me decepcionei, eu estou muito decepcionado com o que houve com o Ancelotti. Quando ele chegou até eu achei legal. Mas eu confesso que estou muito decepcionado e não apoio a continuidade dele.José Trajano
Para Trajano, o ponto central é o risco de a seleção perder a própria identidade de jogo com o técnico italiano. "Melhor perder com a nossa cultura", disse ele, ao defender que o Brasil volte a insistir em uma identidade de jogo, em vez de buscar atalhos a cada ciclo.
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