20 Jul 2026
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Nem dentro da Mercedes acreditavam no AMG GT elétrico. Mas já era tarde para voltar atrás.
A Mercedes poderá estar a viver um dos momentos mais delicados da sua estratégia de eletrificação.
Um alto responsável da marca alemã terá admitido, sob anonimato, que o novo Mercedes-AMG GT elétrico "nunca deveria ter existido", revelando que o projeto continuou a avançar apesar de, internamente, já existirem fortes dúvidas quanto ao seu sucesso comercial.
O reconhecimento público de Oliver Blume relativamente ao Macan a combustão é algo inédito na indústria automóvel. Admitir que se enganaram na estratégia e reconhecer que cometeram um erro não é algo que se costume relatar, pois parte-se do princípio de que eles são especialistas, aqueles que conhecem verdadeiramente o mercado.
Segundo informações, citando declarações de um responsável da Mercedes, quando surgiram os primeiros sinais de que o AMG GT elétrico poderia não corresponder às expectativas, o desenvolvimento encontrava-se numa fase demasiado avançada.
Cancelar o projeto significaria assumir perdas financeiras avultadas, levando a marca a optar por concluir o modelo e lançá-lo no mercado.
Esta situação ganha ainda mais relevância por surgir poucos meses após a apresentação oficial do novo Mercedes-AMG GT Coupé de quatro portas elétrico, o primeiro modelo desenvolvido sobre a plataforma AMG.EA, concebida exclusivamente para automóveis elétricos de elevado desempenho.
O modelo oferece até 1.169 cv, três motores elétricos de fluxo axial, bateria de 106 kWh e arquitetura de 800 V capaz de suportar carregamentos até 600 kW.
As mesmas declarações revelam também que o conselho de administração da Mercedes já tinha conhecimento, no final de 2023, de que os modelos EQS e EQE estavam muito aquém das expectativas comerciais.
Segundo ao que é revelado, os números de vendas destes modelos tinham sofrido uma quebra muito significativa, levando vários responsáveis da marca a classificá-los internamente como um dos maiores fracassos da história recente da empresa.
O desenvolvimento da gama elétrica da AMG terá ultrapassado os mil milhões de euros, enquanto a aposta nos projetos EQS e EQE representou investimentos estimados em cerca de cinco mil milhões de euros.
Outro exemplo referido é o Classe G elétrico. Apresentado como uma evolução tecnológica de um dos modelos mais icónicos da Mercedes, o G 580 com Tecnologia EQ chegou equipado com quatro motores elétricos, bateria de 116 kWh úteis e funcionalidades exclusivas, como a capacidade de rodar sobre o próprio eixo.
No entanto, os resultados comerciais ficaram muito abaixo do esperado. Dados da consultora Dataforce, citados pelo jornal alemão Handelsblatt, mostram que até abril de 2025 tinham sido vendidas apenas cerca de 1.450 unidades do Classe G elétrico em todo o mundo, muito longe das aproximadamente 9.700 unidades das versões a combustão comercializadas no mesmo período.
Apesar das críticas internas, a Mercedes não abandonou a estratégia elétrica da divisão AMG.
O novo AMG GT elétrico será produzido na fábrica de Sindelfingen e representa a nova geração de modelos desportivos da marca.
Além da potência superior a 1.100 cv, estreia motores de fluxo axial desenvolvidos pela YASA, uma bateria inspirada na Fórmula 1 e um sistema que simula o som e até as mudanças de velocidade de um motor V8, procurando manter a identidade emocional característica da AMG.
Resta agora perceber se toda esta tecnologia conseguirá convencer os clientes ou se confirmará os receios que, ao que tudo indica, já existiam dentro da própria Mercedes muito antes da chegada do modelo aos concessionários