A cópia dos projetos europeus começa a mostrar um resultado trágico para o país
A figura parece absurda, mas não é. O pior momento do futebol brasileiro combina com as mudanças ocorridas no país neste século. O intercâmbio de informações acabou criando uma geração que defende projetos desenvolvidos em outros países e que desprezam a nossa cultura. Fim dos estaduais, campeonato de pontos corridos, mudança do conceito de estádio e distribuição à la Espanha das verbas de TV são apenas alguns pontos que precisam ser discutidos por quem quer ver o futebol brasileiro como protagonista novamente.
O resultado de todas as ações foi uma evasão de talentos precoces para todo e qualquer tipo de mercado e uma perda substancial de identidade. Além disso, bolsões formadores de jogadores foram eliminados pela diminuição gradual dos pequenos clubes do interior do país. Entre 1990 e 2020, os campeonatos regionais perderam cerca de 20 datas e isso foi determinante para o empobrecimento do trabalho dos clubes do interior do Brasil.
Atualmente, pouco mais de 100 clubes tem calendário anual no Brasil e muitos caminham para a falência. O futebol passou a ter apenas a concorrência abraçada pelos grandes centros, que dividem o bolo de dinheiro e não tem interesse em mudar esta lógica, imaginando uma perenidade falsa. A cópia dos projetos europeus começa a mostrar um resultado trágico para o nosso futebol. A centralização das receitas, agora, toma o curso de distribuição ainda mais restrito, dando força para as grandes marcas nacionais, como Flamengo e Palmeiras, fato que começa a transformar clubes sempre muito grandes, como a dupla Gre-Nal, em instituições sob risco.
Como resultado, se verifica, também, o fim da identidade dos jogadores com a sua comunidade. Os jovens jogadores viram ciganos da bola antes mesmo dos 18 anos, dando mostra que são poucos os espaços para crescer na profissão. Essa equação diminui, no fim de tudo, o número de talentos do futebol brasileiro.
Diante disso, está na hora de ampliar a discussão sobre o motivo da diminuição do futebol brasileiro no cenário mundial e os pontos que precisam entrar na análise são as tomadas de decisão que começam na Lei Pelé e desembocam nos dias de hoje.
São muitas as situações que determinaram a perda de espaço do nosso futebol, mas permitir uma conversa sobre a maneira que copiamos outros países pode ser um bom início. Existe um fato. As ações tomadas nos últimos 25 anos deram muito dinheiro para jogadores e empresários, e terminaram com os clubes. A diminuída quantidade de talentos do nosso futebol não poderia ter relação com isso? Vamos pensar.
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