Uma homenagem a Mario Jorge Lobo Zagallo, no Museu Flamengo, acabou servindo de ponto de partida para uma reflexão sobre as transformações do futebol. Presente no evento em homenagem ao Velho Lobo, o ex-goleiro Raul Plassmann afirmou que o esporte mudou dentro e fora de campo e que o conceito de idolatria é bem diferente daquele vivido por sua geração.

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Para o ídolo do Flamengo, em entrevista exclusiva ao Lance!, a mudança passa pelo perfil da torcida, pela forma como o futebol é consumido e pelo impacto das redes sociais. Segundo ele, atualmente o reconhecimento aos jogadores acontece de forma muito mais rápida. Raul também comparou a forma como os ídolos eram construídos no passado com a realidade atual.

"O mundo mudou. As gerações mudaram. Você olha para uma Copa do Mundo hoje e vê um público diferente. Não estou fazendo uma crítica, é apenas uma demonstração de que as coisas mudaram. Hoje, basta marcar um gol para virar ídolo. Antigamente, você precisava passar dez anos conquistando títulos para se tornar um ídolo. Hoje ficou mais simples. O famoso virou ídolo, mas nem todo famoso é realmente um ídolo."

Na sequência, o ex-goleiro, que vestiu a Amarelinha entre os anos de 1970 e 1980, ressaltou que sua análise não representa uma crítica às novas gerações, mas apenas uma constatação sobre a evolução do futebol.

"Se eu tivesse 18 anos hoje, provavelmente estaria pensando e agindo como essa geração. Não existe mágoa da minha parte. É apenas uma constatação de que o mundo mudou, vai continuar mudando, e nós precisamos aceitar isso."

A reflexão surgiu justamente durante uma homenagem a Zagallo. Ao recordar o Velho Lobo, Raul voltou quase sete décadas no tempo para contar que sua primeira lembrança marcante do futebol tem ligação direta com o tetracampeão mundial.

O ex-goleiro revelou que tinha apenas 14 anos quando ouviu, pela primeira vez, uma partida de futebol pelo rádio. Era a final da Copa do Mundo de 1958, entre Brasil e Suécia.

"Eu tinha 14 anos quando escutei o primeiro jogo de futebol da minha vida pelo rádio. Era a final da Copa do Mundo de 1958. O Zagallo era o ponta esquerda, fez o quarto gol e deu o passe para o Pelé marcar outro. Então, tenho um relacionamento com o Zagallo por causa disso. Aquela lembrança ficou marcada para mim."

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Além das conquistas, Raul fez questão de destacar o legado deixado por Zagallo dentro das quatro linhas. Na visão dele, o Velho Lobo ajudou a transformar a forma de jogar futebol graças à movimentação que realizava em campo.

"Pouca gente lembra que o apelido dele era 'Formiguinha'. Ele tinha um estilo de jogo inteligente e incansável. Na época, todo mundo jogava no 4-2-4. O Zagallo começou a voltar para buscar o jogo, ajudar na marcação e construir as jogadas. Foi uma mudança provocada pelo jeito como ele jogava."

Para Raul, essas histórias ajudam a explicar por que Zagallo se tornou uma das figuras mais importantes da história do futebol brasileiro.

"São informações que a nossa geração passa para as outras e que não podem ser esquecidas."

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