A Inglaterra está nas quartas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026 e enfrenta a Noruega neste sábado (11). Campeã mundial apenas uma vez, em 1966, a equipe inglesa tenta voltar a conquistar o título após 60 anos. Mas e se essa longa espera tiver uma explicação curiosa e mítica, que mistura futebol e literatura brasileira?

Há quem diga que o grande culpado por esse jejum é ninguém menos que Nelson Rodrigues. Um dos maiores dramaturgos brasileiros, ele teria lançado uma “praga” contra a seleção inglesa. Coincidência ou não, desde então a Inglaterra nunca mais venceu a Copa.

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Para entender essa história, é preciso voltar à Copa do Mundo de 1966. Disputado na Inglaterra, o torneio aconteceu após o bicampeonato brasileiro, conquistado em 1958 e 1962. Apesar de contar com Pelé, a seleção brasileira foi eliminada ainda na primeira fase. Já os donos da casa venceram Argentina e Portugal no mata-mata e chegaram à final contra a Alemanha Ocidental.

A Inglaterra venceu por 4 a 2, recebeu a taça das mãos da Rainha Elizabeth II e celebrou seu único título mundial. Mas a partida também ficou marcada por uma grande polêmica. Aos 11 minutos da prorrogação, um chute do atacante inglês Geoff Hurst acertou o travessão, quicou sobre a linha do gol e voltou para o campo. O árbitro validou o lance, que ficou conhecido como o “gol fantasma” e gera discussões até hoje.

A revolta de Nelson Rodrigues, no entanto, não se limitou ao lance duvidoso da final. O dramaturgo ficou irritado com os jornalistas brasileiros que cobriram a Copa de 1966 e passaram a elogiar o futebol inglês, defendendo que o Brasil deveria se inspirar naquele estilo de jogo. Em sua coluna “Meu Personagem da Semana”, publicada no jornal O GLOBO em 1º de agosto de 1966, Nelson rebateu quem fez essas análises, criticou o futebol inglês e encerrou o texto com a tal “maldição” contra a seleção da Inglaterra:

“Eu quero terminar dizendo: quando, após a partida de anteontem, o capitão inglês ergueu a mãos ambas a ‘Jules Rimet’, o urubu de Edgard Allan Poe declarava aos jornalistas credenciados: ‘Nunca mais, nunca mais!’ E, de fato. como as outras “Copas” vão ser disputadas em terreno neutro, nunca mais a Inglaterra vai conseguir impor o seu futebol sem imaginação, sem arte, sem originalidade. E o cronista que foi nos dois pés e voltou de quatro, que se cuide. O mesmo urubu de Edgard Poe diria que não se levantará, nunca mais, nunca mais, nunca mais”.

O trecho faz referência ao poema “O Corvo”, de Edgar Allan Poe. Na história, um corvo repete insistentemente a palavra Nevermore (“Nunca mais”) enquanto conversa com um homem devastado pela morte de sua amada.

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Nelson Rodrigues é um dos autores mais importantes da literatura brasileira. Nascido no Recife, em 23 de agosto de 1912, ele se mudou ainda criança para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar em jornais aos 13 anos. Sua estreia como dramaturgo aconteceu em 1941, com “A Mulher sem Pecado”, mas foi “Vestido de Noiva”, encenada em 1943, que transformou seu nome em uma referência do teatro nacional.

Entre suas principais obras estão “Anjo Negro”, “Álbum de Família”, “A Falecida” e “O Beijo no Asfalto”. Também escreveu romances, como “Meu Destino É Pecar” e “O Casamento”, além de centenas de crônicas para jornais. Morreu no Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1980.

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