Novidade em Copas do Mundo, a pausa para hidratação tem chamado a atenção nos estádios da América do Norte. Criada devido ao verão nos locais da competição, a paralisação ocorre aos 22 minutos de cada tempo do jogo, mesmo em estádios climatizados ou se não tiveram altas temperaturas.
“O que importa ainda mais para nós é garantir que todas as equipes, em todos os jogos, estejam jogando nas mesmas condições. E é muito difícil aceitar que um treinador possa ter a oportunidade de influenciar um jogo fazendo ajustes simplesmente porque está mais quente, enquanto em outro jogo, onde a temperatura é ligeiramente mais baixa, o mesmo treinador não tem a mesma oportunidade”, disse Gianni Infantino, presidente da Fifa.
Muito mais do que apenas uma parada para refrescar, a medida tem sido alvo de vaias e análises. Treinadores, jogadores, torcedores e jornalistas identificaram que a interrupção pode ser usada como um tempo técnico para ajustes da equipe, outros apontam o momento como mais um espaço publicitário.
Segundo o jornal El País, nas 56 primeiras pausas para hidratação do Mundial de 2026, foram registrados 24 mudanças de ritmo da partida. Além disso, 20 paralisações interromperam o domínio da equipe que tinha a iniciativa. Ainda sobre a primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, 16 dos 75 gols anotados ocorreram em até 10 minutos após o Cooling Break, o que representa 21% dos tentos totais.
“Tudo o que você tem em mente para o jogo pode mudar nesses 22, 23 minutos (até a pausa). Para quem quer atacar, é um tempo para fazer ajustes, mas é estranho se adaptar. Se isso continuar, imagino que logo será algo normal, mas hoje não é normal”, explicou Lionel Scaloni, técnico da Argentina.
A pausa para hidratação acontece aos 22 minutos de cada tempo
A Copa do Mundo de 2026 acontece no México, Canadá e Estados Unidos
Na primeira partida da Alemanha no torneio a equipe goleou a estreante Curaçao por 7 x 1. Porém até a primeira pausa para hidratação da partida, o confronto estava empatado em 1 x 1. Para o treinador dos alemães, Julian Nagelsmann, foi importante para um ajuste tático que mudou o rumo do duelo.
“Curaçao jogou com um losango hoje, e ajustamos nossa estratégia de ataque antes da pausa para hidratação. Mesmo assim, ainda houve dois ou três momentos em que demoramos um pouco, porque, no fim das contas, é muito raro jogar contra uma equipe que joga em losango hoje em dia. A pausa para água foi boa para simplesmente reiterar o que já tínhamos ajustado no tabuleiro”
O portal Opta Analyst diz que o maior número de chances após a segunda metade dos tempos, onde ficam as pausas para a hidratação, são normais mesmo sem a paralisação. Em matéria, foi apontado que jogos como Holanda x Suécia, Alemanha x Curação e Suíça x Bósnia foram possíveis verem mudanças em estatísticas como gols esperados.
No comparativo com a Premier League, Campeonato Inglês, que não tem as interrupções da Copa do Mundo, a alteração no número de chutes e tentos também aumentam após o meio de cada etapa.
Ainda de acordo com a matéria, existe muito mais probabilidade do jogo estar empatado na primeira metade do que na segunda, o que pode significar apenas uma mudança na postura das equipes, visto que mais perto do fim os times têm maior tendência a arriscar. Por fim, o portal diz que não há diferença perceptível depois das pausas, mas sim que as mudanças do jogo estão sendo mais notadas.
“Houve muitos jogos na Copa do Mundo de 2026 que pareceram mudar por causa das pausas para hidratação, mas houve muito mais jogos que não sofreram alteração alguma. Na maioria das vezes, não há diferença perceptível no andamento das partidas antes e depois das pausas. Acontece apenas que, quando ocorre uma mudança, a notamos mais do que notávamos quando não havia pausas para hidratação”, escreveu o Opta Analyst.
Com interferência ou não no rumo da partida, mudanças feitas na pausa para hidratação podem alterar as equipes para o resto da competição. Isso foi visto na estreia da Seleção Brasileira, contra Marrocos. Antes da pausa, onde os marroquinos foram mais incisivos e abriram o placar, o Brasil jogava com Lucas Paquetá pela direita e Raphinha pela esquerda.
O posicionamento fazia com que o jogador do Flamengo tivesse que fazer longos deslocamentos para o meio para se associar com os seus companheiros, o que atrapalhava na recomposição defensiva.
Na pausa para hidratação, Carlo Ancelotti inverteu as posições. Com isso, o atacante do Barcelona ficou um pouco mais isolado, o que não é um grande problema para ele, visto que ele tem o um contra um e a velocidade como características.
Enquanto isso, Paquetá tinha sempre Vini Jr. ao seu lado e ainda poderia auxiliar na defesa do ponto forte de Marrocos, visto que, com Hakimi e Brahim Diaz, a equipe africana atacava mais pelo lado direito, o esquerdo da defesa brasileira.
Coincidência ou não, a Seleção Brasileira marcou o seu único gol no jogo 10 minutos após o Cooling Break. Além disso, a mudança feita neste momento se manteve durante todos os duelos do Brasil, mesmo com a mudança de jogadores, visto que Raphinha e Lucas Paquetá tiveram problemas físicos no torneio.
Carlo Ancelotti, treinador da Seleção Brasileira
Brasil e Marrocos se enfrentaram na 1ª rodada da fase de grupos