Acabou mais uma Copa do Mundo e, com ela, a certeza de que o torneio é uma das criações mais espetaculares da humanidade. Mesmo disputada dentro de um país entregue ao fascismo, mesmo dilacerada por políticas autoritárias, mesmo com ingressos a preços impagáveis, a Copa de 2026 foi um sucesso. O futebol se impõe. O jogo é soberano. Ele sempre vence.
Cento e quatro partidas, 48 seleções, 1248 jogadores. Vimos jogos que jamais esqueceremos, despedidas, novos ídolos, tristezas e glórias. Vimos países cada vez mais misturados culturalmente renascerem em campo. Enquanto o fascismo global segue erguendo muros e fechando fronteira, o jogo assume seus filhos e diz: podem vir, somos um só.
Os Estados Unidos seguem sua cruzada anti-imigração enquanto destroem monumentos e pessoas com suas poderosas bombas. Mas, nos intervalos dos jogos, fingem celebrar o amor e a união entre os povos. Love, love, love.
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A Copa de 2026 reuniu uma série de atletas que, como o palmeirense Mauricio, jogaram por seleções de países diferentes daqueles onde nasceram. França e Inglaterra assumiram sua negritude e, com ela, se fixaram ainda mais na primeira prateleira do futebol. Uma prateleira da qual o Brasil se atirou, mas essa é outra história.
Fronteiras são invenções humanas e funcionam bastante bem apenas para que possamos ter torneios como uma Copa do Mundo, com nações disputando um título. Fronteiras não funcionam se a ideia for barrar, expulsar, excluir. O futebol fala sobre a beleza de nos misturarmos, sobre a poesia do acolhimento, sobre colocarmos em campo nossa identidade. Zion Suzuki, o goleiro que nasceu nos Estados Unidos filho de pai ganês e mãe japonesa, e que defende a seleção do Japão talvez represente de modo mais arrebatador o que podemos ser. A Copa manda para o esgoto a supremacia branca que Donald Trump e outros políticos de extrema direita tentam impor ao mundo. Eles fingem não ver, mas é impossível deixar de notar que nossa maior força vem de sermos capazes de nos misturar, de conviver, de romper fronteiras. A ideia de um mundo dominado por homens muito brancos e muito poderosos perde força quando a Copa do Mundo mostra sua cara.
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