Um jogo entre a poderosa França e a zebra Paraguai obviamente gera uma torcida de outros países em favor da equipe sul-americana.

É normal, do futebol. Também é compreensível a retranca armada pelo técnico Gustavo Alfaro para tentar parar a artilharia francesa. Não havia outra forma de ganhar, e há mérito em se defender bem.

Dito isso, não dá para celebrar o antijogo praticado pelo Paraguai em boa parte do jogo.

Por que Martinelli deve ser titular contra a Noruega

França bate Paraguai que, eliminado, se liberta da bola

Moraes foi de xerife a irmão em Cristo de Michelle

"Ah, é jogo de Libertadores." Pois esse é o pior aspecto da competição, a cera, as pancadas disfarçadas, as reclamações constantes. É possível criar desconforto no rival sem isso.

No primeiro lance do jogo, Alderete tem um encontrão com Rabiot e cai na área. Não foi nada, contato normal, ele se estende no chão, Gustavo Gomez pede para o jogo parar. Por sorte, o árbitro Tantashev ignora e o paraguaio levanta.

Gomez, Almirón, Enciso caíram no campo. O último queria ficar estendido enquanto seria substituído. O árbitro o ameaçou com a punição de ficar sem um jogador, ele levantou. Aliás, na maior parte dos lances, Tantashev conseguiu conter a cera, mas foi permissivo noas contatos mais agressivos.

Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês

Os contatos para criar desconforto em Mbappé, Olise e Dembele são normais. Ninguém deve abrir caminho aos rivais.

Alguns tapas ali, como o de Galarza, não fazem parte do jogo. Depois, o paraguaio meteu a mão na cara de Kundé no final do jogo. Eram dois amarelos. A poucos minutos do fim, ele se jogou teatralmente na área para simular um golpe no rosto e pedir uma sanção ao rival.

Cabo Verde, por exemplo, defendeu-se sem apelar dirante do Uruguai, Espanha e Argentina. E ainda tinha um plano ofensivo de contra-ataque tanto que marcou gols contra dois desses rivais.

Quando o árbitro Tanashev marcou pênalti em Doue após analisa o VAR (foi pênalti, diga-se), os paraguaios cercaram o árbitro para tentar reverter no melhor estilo Brasileirão. E ficaram em volta da marca. Enquanto isso, Velasquez enfiou a chuteira na marca para tentar danificar o gramado, no melhor estilo Andreas Pereira, para prejudicar a batida de Mbappé.

Isso não é futebol. É uma malandragem torpe, é antijogo claro.

Quem defende isso não vai poder reclamar quando fizerem com seu time. Se não é correto contra sua equipe, sua seleção, não é contra aqueles que você eventualmente torce contra.

Então, pode-se até elogiar a postura defensiva do Paraguai. Parte do jogo, um plano tático de cinco na linha de trás que criou dificuldade a uma França que não estava na sua melhor tarde. E merece elogio o goleiro Orlando Gill, que pegou pênaltis diante da Alemanha e fez duas defesaças contra Mbappé.

Mas não dá para celebrar uma postura que ignora os princípios básicos da civilidade dentro do jogo.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL