O futebol 'já foi avacalhado há muito tempo' na cultura esportiva dos Estados Unidos, e a Copa do Mundo 2026 acaba virando palco para 'penduricalhos' e interferências que mudam o ambiente do jogo, avaliou Mauro Cezar Pereira no Posse de Bola, do Canal UOL.
A crítica apareceu após relatos sobre o evento de coletiva antes da final da Copa, em Nova York, com presença de público pagante e barulho durante respostas de jogadores e técnicos. Para Mauro, a FIFA aceita esse pacote por dinheiro e por conveniência.
Se a Copa for toda vez aqui nos Estados Unidos, o que parece viável, se você pensar naquilo que pensa o presidente do país e o presidente da FIFA, a subserviência é muito evidente, na próxima não vai ser. Imagino que muitas dessas inserções, digamos assim, que são típicas aqui da cultura do esporte americano, acho que isso vai ser deixado de lado. Mas já mudaram muita coisa, né? Já na Copa passada era perceptível a mudança do ambiente no estádio com o famigerado DJ. [...] Já mudou tudo, o ambiente é outro, a situação é outra. O futebol, na sua cultura, já foi avacalhado há muito tempo. O entorno é o complemento. Agora a Copa do Mundo é isso. Mauro Cezar Pereira
O 3º lugar que ninguém queria. Até a bola rolar
Futebol é avacalhado como cultura faz tempo nos EUA
Na sequência, o comentarista listou o que considera uma 'americanização' do entorno do futebol, com música alta no estádio e paradas que, para ele, abrem espaço para mais publicidade na transmissão.
Se tiver uma torcida que canta e que grita, você não vai ouvir a torcida, porque o cara abafa o som da torcida. Foi assim na Copa do Mundo de Clubes ano passado, e isso já mexeu bastante com o ambiente de um estádio de futebol. E aqui, sendo os Estados Unidos, fica ainda mais acentuada essa questão.Mauro Cezar Pereira
Para Mauro, as mudanças não se limitam ao que acontece dentro das quatro linhas. Ele citou intervalo de 30 minutos, pausa da hidratação e o volume de anúncios na TV americana como sinais de que a lógica comercial ganhou ainda mais peso na Copa do Mundo 2026.
E aí tem todos esses penduricalhos aí, esses eventos que eles arrumam, intervalo de 30 minutos, já tem a pausa da hidratação, que é uma pausa comercial, evidentemente. Aí você vê aqui na TV que transmite os jogos nos Estados Unidos, cara, entram vários anúncios no intervalo, naquela pausa de hidratação.Mauro Cezar Pereira
Danilo Lavieri reforçou o incômodo ao descrever um evento com jogadores e técnicos em que parte do público pagou ingresso para assistir, mas interrompeu respostas com gritos. Ele disse que o cenário ficou 'constrangedor' e não combinou com o futebol.
O Messi tentava responder gritando. Um negócio meio constrangedor. (...) A galera pagou 70, 80 dólares para estar presente. (...) Eu concordei muito com ele porque é um negócio horrível, um negócio assim que não combina com o que a gente tem visto de futebol.Danilo Lavieri
PVC apontou que, além da desorganização, houve interferência direta na preparação de Espanha e Argentina, finalistas, com deslocamentos e mudanças de rotina. Para ele, o ponto central é o impacto na agenda dos times às vésperas da decisão.
O X da questão é que interferiu na rotina dos dois finalistas que vão jogar amanhã.PVC
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