Um dos grandes nomes do automobilismo brasileiro, Lucas di Grassi, que foi campeão da Fórmula E na temporada 2016-17 e teve passagem pela Fórmula 1, encerrou oficialmente sua carreira nas pistas neste final de semana. Após mais de trinta anos dedicados ao esporte a motor, o piloto de 42 anos compartilhou uma foto tocante ao lado do filho e, por meio de uma carta aberta, revisitou sua jornada e apresentou suas expectativas para o futuro.
A despedida de Di Grassi aconteceu no dia 17 de agosto de 2026, durante a rodada dupla do ePrix de Londres, realizado no Reino Unido. Competindo pela Lola-Yamaha Team, o piloto não conseguiu completar nenhuma das duas provas e finalizou a temporada da Fórmula E na 17ª posição, acumulando 32 pontos.
Em sua carta, o brasileiro refletiu sobre a longa trajetória. “Depois de 30 anos no automobilismo, é hora de pendurar o capacete. Mas, quando olho para esta foto, não penso no fim da minha carreira. Isso é sobre o que vem a seguir. Durante três décadas, as corridas me ensinaram que talento nunca é o suficiente”, disse Di Grassi.
Um post compartilhado por LUCAS DI GRASSI (@lucasdigrassi)
Ele acrescentou a importância de outras qualidades além do talento puro. “É preciso determinação para continuar quando as coisas não estão funcionando, quando o carro não é rápido o bastante, quando as pessoas duvidam de você, quando você perde, quando você falha. É preciso uma vontade quase irracional de vencer. E, acima de tudo, é preciso foco extremo e a capacidade de ignorar o barulho, comprometer-se completamente com um objetivo e continuar avançando muito depois do que a maioria das pessoas teria parado”, observou o piloto.
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Di Grassi também ligou sua carreira ao futuro, mencionando o filho. “Essas qualidades me levaram de uma criança que sonhava em correr de carro a competir no mais alto nível do automobilismo por 20 anos. Agora, olho para o meu filho. Meu tempo atrás do volante está chegando ao fim. A geração dele está apenas começando”, afirmou.
Na Fórmula 1, Di Grassi atuou em 2010 pela Virgin Racing. No cenário da Fórmula E, ele foi um dos participantes inaugurais da competição elétrica, em 2014, e desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do GEN1, o primeiro modelo de carro usado nas corridas.
Ao longo de 12 anos na Fórmula E, Di Grassi obteve um histórico impressionante de 13 vitórias, 41 pódios e quatro pole positions. Além do título de 2017, o piloto esteve entre os três primeiros da categoria nas cinco temporadas iniciais, somando dois vice-campeonatos (2015-16 e 2017-18) e dois terceiros lugares (2014-15 e 2018-19).
Em abril de 2026, Di Grassi já havia sinalizado sua intenção de se aposentar. Entre as possibilidades para o futuro, ele considera assumir um cargo como chefe de equipe, além de focar no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do seu filho.
A emoção da despedida foi capturada na foto que acompanhou a carta. “Essa foto vale mais do que mil palavras. Hoje corro na Fórmula E pela última vez. Depois de 30 anos no automobilismo, é hora de pendurar o capacete. Mas, quando olho para esta foto, não penso no fim da minha carreira. Isso é sobre o que vem a seguir. Durante três décadas, as corridas me ensinaram que talento nunca é o suficiente”, enfatizou.
Ele reiterou a necessidade de resiliência: “É preciso determinação para continuar quando as coisas não estão funcionando, quando o carro não é rápido o bastante, quando as pessoas duvidam de você, quando você perde, quando você falha. É preciso uma vontade quase irracional de vencer. E, acima de tudo, é preciso foco extremo e a capacidade de ignorar o barulho, comprometer-se completamente com um objetivo e continuar avançando muito depois do que a maioria das pessoas teria parado”.
A mensagem sobre o legado e o futuro da nova geração foi um ponto central. “Essas qualidades me levaram de uma criança que sonhava em correr de carro a competir no mais alto nível do automobilismo por 20 anos. Agora, olho para o meu filho. Meu tempo atrás do volante está chegando ao fim. A geração dele está apenas começando”, pontuou o piloto. Essa reflexão sobre a passagem do tempo e a importância de abrir caminho para novos talentos é um elemento de valor, contextualizando o impacto da saída de um veterano para o cenário do automobilismo.
Di Grassi também expressou suas esperanças para o filho. “Não sei o que ele vai escolher fazer, e não precisa ser automobilismo. Mas, seja o que for, espero que ele se entregue com tudo o que tenha. Espero que ele sonhe grande, aprenda a perder, se levante, trabalhe mais duro e nunca aceite que algo é impossível simplesmente porque ninguém fez antes”, disse.
Para finalizar sua carta, ele ressaltou: “Uma geração eventualmente precisa sair do caminho para que a próxima possa ir mais longe. Hoje, tiro o capacete. E, olhando para esta foto, sei exatamente para onde está meu foco agora”.
Após uma infância dedicada ao kart, Lucas di Grassi iniciou sua jornada no automobilismo profissional em 2002, garantindo o segundo lugar na Fórmula Renault 2.0 Brasil. Posteriormente, o piloto participou de diversas etapas da Fórmula 3, incluindo a Sudamericana, Britânica e Euro Series.
Em 2006, Di Grassi ingressou na GP2 Series, que precedeu a atual Fórmula 2. Ele competiu por quatro temporadas, alcançando um vice-campeonato em 2007 e dois terceiros lugares em 2008 e 2009. Seu bom desempenho na categoria de acesso o levou à Fórmula 1 em 2010, onde, no entanto, não conseguiu somar pontos com o carro da Virgin, que era limitado.
Após sua saída da principal categoria do automobilismo, Lucas participou de algumas corridas do Mundial de Endurance (WEC), com quatro presenças com a Audi nas icônicas 24 Horas de Le Mans, uma das provas mais importantes do esporte a motor. Seu melhor resultado na competição foi um segundo lugar, conquistado em 2014.
Na mesma temporada, o brasileiro fez sua estreia na Fórmula E, defendendo a Audi Sport ABT. Após dois bons desempenhos nos anos iniciais, Di Grassi sagrou-se campeão em 2016-17, superando o suíço Sebastien Buemi, outro ex-piloto de F1, na corrida final.
Lucas di Grassi continuou com a Audi até a temporada 2020-21, quando a equipe alemã deixou a Fórmula E. Posteriormente, o piloto competiu por equipes como Venturi, Mahindra, ABT Cupra, e encerrou sua carreira na Lola-Yamaha em 2024