A decisão dos clubes das Séries A e B de reduzir gradualmente o limite de estrangeiros no Brasileirão ganhou repercussão na imprensa europeia. O "Diario AS", da Espanha, analisou a mudança e destacou a relação entre o crescimento dos investimentos, a presença cada vez maior de atletas de outros países e o espaço destinado aos jogadores brasileiros. Para o jornal, o cenário atual do futebol nacional tem "luzes e sombras", enquanto a nova política da CBF representa uma tentativa de buscar maior equilíbrio nos elencos.

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O AS parte de uma avaliação positiva sobre a dimensão alcançada pelo futebol brasileiro. O diário espanhol considera o Brasileirão, de longe, o campeonato mais forte da América do Sul e aponta que o aumento dos investimentos contribuiu para transformar o país em um destino relevante para jogadores estrangeiros.

Ao mesmo tempo, a publicação vê o crescimento desse mercado como uma "faca de dois gumes". Na leitura do jornal, a chegada de atletas de fora ajudou a aumentar a atratividade do futebol brasileiro, mas também passou a interferir na composição das equipes e na presença de jogadores formados no país.

O Diario AS chamou atenção para a dimensão que o movimento alcançou em 2026. O Brasileirão estabeleceu naquele ano um recorde de 161 jogadores estrangeiros, número registrado até agosto.

O levantamento citado pelo jornal mostra ainda uma concentração maior em alguns clubes. O Botafogo aparece com 12 atletas estrangeiros, enquanto Flamengo, Athletico-PR e Internacional têm 11 cada. Entre os países com maior representação estão Argentina, com 48 jogadores, Uruguai, com 32, e Colômbia, com 27.

Na avaliação do AS, a expansão do mercado estrangeiro não pode ser analisada isoladamente. O diário relaciona esse processo à tentativa da CBF de estabelecer uma evolução considerada mais sustentável para o futebol brasileiro, com o atleta nacional ocupando posição central.

A publicação também chama atenção para outro movimento que ocorre paralelamente: a saída cada vez mais precoce de jovens brasileiros para outros mercados, sobretudo o europeu. Nesse contexto, o jornal entende que a busca por um novo equilíbrio entre jogadores brasileiros e estrangeiros passa a fazer parte da discussão sobre os rumos do futebol nacional.

"Nem tudo que reluz é ouro" é outra expressão utilizada pelo Diario AS ao abordar o cenário. A publicação relaciona a frase à necessidade de observar os efeitos do crescimento do número de estrangeiros para além da capacidade de atração exercida pelo Brasileirão.

A repercussão do jornal espanhol ocorre após a aprovação da redução do limite de estrangeiros que podem ser relacionados por cada equipe em uma partida. O número, que atualmente é de nove, cairá para oito em 2027 e será reduzido gradualmente até chegar a cinco em 2030.

A medida foi aprovada em reunião na CBF com os clubes das duas primeiras divisões. Apenas Bahia e Flamengo votaram contra a proposta.

A mudança estará acompanhada de uma exigência maior para a composição dos elencos. A partir de 2027, cada equipe poderá inscrever 50 jogadores no Brasileirão, sendo 20 obrigatoriamente com menos de 23 anos. A proporção de atletas mais jovens aumentará progressivamente até 2030.

De acordo com dados apresentados pela CBF, a preocupação está relacionada à utilização de jogadores sub-23. Um estudo da entidade apontou queda de 40% nos minutos disputados por atletas dessa faixa etária no futebol brasileiro desde o aumento do limite de estrangeiros para nove.

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