Finalmente cheguei a São Paulo às 5h45 desta terça-feira (21) e já fui olhar as notícias do futebol brasileiro.

Não me assustei, mas tenho de me readaptar à "Terra do Nunca".

O universo em que muitos times têm dívidas enormes, devem salários aos jogadores, tomam um transfer ban atrás do outro e os dirigentes dizem que querem contratar.

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Impressionam as manchetes dizendo que tal dirigente está estudando um plano para enganar o transfer ban e fortalecer seu time.

O dirigente de outro assume que o clube deve salários, mas garante que o elenco não está reclamando.

"Dirigentes remunerados também estão sem receber ou só os jogadores e funcionários?"

Quem tem dinheiro e paga em dia está tentando trazer grandes craques para realmente fortalecer seus times, como o Flamengo (Almada) e o Palmeiras (Danilo).

Clubes devedores pagam mais de R$ 4 milhões a um jogador que não joga, e quem treina todo dia e entra em campo na boa e na roubada fica meses sem receber nada.

O futebol brasileiro é uma história com diversos vilões e pouquíssimos mocinhos.

Mas vamos lá com entusiasmo. Se criticar algum "bonitinho", queridinho dos influenciadores, pode esperar ataques, ofensas e perseguições.

Vi que o Santos perdeu para o Botafogo, o Bahia ganhou da Chapecoense, o Fluminense e o Bragantino empataram, o Mirassol venceu o Grêmio e o Vitória também venceu o Vasco.

Aqui o futebol é tão desorganizado que a gente se habitua fácil porque sabe que não mudou nada em 40 dias.

Quem devia X agora deve XY, e quem estava com salário atrasado de um mês passou para dois. Nenhum dirigente tem vergonha de dizer que vai contratar ou que o elenco não reclama de não receber.

Os jogadores desses clubes que não pagam têm total direito de se manifestar, de cobrar e até de fazer greve de treinos enquanto nenhum dirigente negociar a dívida.

Os torcedores desses clubes deveriam cobrar de seus dirigentes o pagamento das dívidas, em vez de xingar o jogador que não recebe e, mesmo assim, entra em campo para defender a camisa do clube que não lhe paga.

O pior é que, se algum dirigente de clube que tomou transfer ban conseguir enganar a Fifa e contratar, ele será tratado como esperto, e não como manipulador caloteiro.

Esse é o futebol brasileiro. Estava com saudade desse "finge que paga, que eu finjo que jogo".

A Fifa finge que dá transfer ban, e os dirigentes fingem que se preocupam