A interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Copa do Mundo enfraqueceu o presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, dentro da entidade máxima do futebol.
As ações de Trump foram amplamente rejeitadas na Uefa (União Europeia de Futebol) e, em geral, nas federações nacionais europeias, além de contrariar dirigentes de outros continentes.
A proximidade de Infantino com o presidente americano é conhecida e sabia-se que poderia haver concessões, mas não a ponto de interferir no equilíbrio do Mundial como aconteceu com a suspensão da punição do jogador americano Balogun, punido com cartão vermelho contra a Bósnia e que pôde atuar no jogo seguinte, contra a Bélgica.
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Neste cenário, cresceu a discussão sobre a Copa do Mundo com 64 times para a próxima edição, em 2030.
Explica-se: a maior rejeição ao aumento do Mundial vem da Europa. A Uefa foi a confederação que protestou oficialmente contra a liberação de Balogun, questionando a integridade da Copa. Federações nacionais e técnicos também criticaram a medida.
A decisão foi tomada de forma isolada pelo presidente do Comitê Disciplinar da Fifa, Mohammad Al Kamali, como publicou o jornal inglês "The Times".
O departamento jurídico da entidade costuma redigir as sugestões de decisões que em geral são acatadas pelos membros, como mostrou o UOL.
Mesmo desgastado, Infantino não tem sua reeleição em risco —a próxima eleição ocorre ano que vem—, mas terá de negociar para emplacar suas pautas mais pessoais.
O aumento da Copa de 48 times para 64 não é uma proposta de Infantino. Foi a Conmebol, que rege o futebol sul-americano, quem sugeriu a ideia por meio do uruguaio Ignacio Alonso, membro do Conselho da Fifa.
A intenção é ter mais jogos na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, as sedes do subcontinente em 2030 —por enquanto, está previsto apenas um jogo para cada país, com o restante do Mundial sendo disputado na Espanha, em Portugal e no Marrocos.
Inicialmente, Infantino recebeu com descrença a proposta. A ideia parecia descartada. Houve rejeição de outras confederações continentais.
Mas, durante a Copa, Infantino deu uma declaração abrindo a porta para ao menos debater a proposta. "Esse é um assunto que certamente será olhado e discutido nos comitês da Fifa", disse o cartola ao veículo suíço "Blue Sport", em entrevista no início de julho.
A Copa de 2026 teoricamente mostrou que é possível ter 48 seleções sem uma queda abrupta de nível. Houve times muito abaixo como Qatar, Curaçao e Nova Zelândia, mas seleções como Cabo Verde surpreenderam.
Isso gera menos resistência para novo aumento. Com mais vagas, Infantino pode agradar a outras confederações que não a europeia e isolar a Uefa na oposição, fortalecendo novamente a sua posição.
Resta saber se outras confederações continentais, como Concacaf, que comanda a América do Norte, Central e Caribe, e a Ásia mudaram de ideia sobre vetar o novo inchaço.
Há ainda a discussão sobre o Mundial de Clubes, que está sob forte influência do Qatar, provável organizador da competição. Esse torneio também pode aumentar para 48 times.
Outro aliado de Infantino é Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, da França, e líder do movimento de clubes e ligado ao governo do Qatar.
Ele deve ter voz ativa no futuro do Mundial de Clubes de 2029. Seu peso contrapõe o poder europeu.
Fato é que Infantino saiu da Copa menos imperador da Fifa e precisando negociar para reconquistar força. A Copa e o Mundial de Clubes são elementos desta costura política