O Flamengo divulgou uma nota oficial neste sábado questionando as polêmicas de arbitragem no futebol brasileiro. No texto, o clube carioca citou estatísticas para sugerir um favorecimento ao Palmeiras nas edições mais recentes do Brasileirão e pediu que os juízes adotem critérios mais claros na condução dos jogos.

Nota publicada pelo Flamengo sugere que o Palmeiras "vem sendo reiteradamente beneficiado por decisões de arbitragem". De acordo com o clube, essa percepção se consolidou na opinião pública e "não nasce apenas da rivalidade esportiva", encontrando respaldo em números.

O Rubro-Negro cita estatísticas levantadas pelo ge para sustentar sua teoria. Uma delas aponta que, desde o Campeonato Brasileiro de 2020, o Palmeiras acumula o maior número de decisões de arbitragem alteradas a seu favor (65) e o menor número de decisões contrárias (47) entre os principais clubes do país. Sendo assim, o Alviverde teria um saldo positivo de 18 lances com intervenção do VAR, até o início da atual edição da competição.

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Arbitragem de Vitória x Palmeiras foi mencionada nominalmente no documento. A partida desta quarta-feira (29), vencida pelo time paulista por 4 a 0, foi marcada por decisões polêmicas, e o Flamengo usou a ocasião para propor que árbitros sejam "responsabilizados quando cometem erros graves".

Clube carioca também pede uma reflexão sobre o comportamento do rival dentro e fora de campo. "Tornou-se frequente assistir a jogadores e comissões técnicas cercando árbitros, reclamando de forma ostensiva e se colocando na condição de vítimas mesmo após faltas evidentes ou até mesmo um simples lateral. Uma ação estudada e coordenada", aponta em nota.

Por fim, o Flamengo afirma que a arbitragem precisa cumprir as regras à risca para que essa discussão seja superada. "O futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo do que a arbitragem. Isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios claros e deixarem de premiar equipes que utilizem a pressão durante todo o jogo como estratégia. As regras devem ser cumpridas, por todos, inclusive pelos árbitros", conclui o texto.

O Palmeiras emitiu uma nota oficial criticando o STJD após a denúncia contra o meia Maurício. O jogador pode pegar de uma a seis partidas de suspensão por ter acertado uma cotovelada no zagueiro Cacá, do Vitória, durante o jogo de quarta-feira (29) — em campo, ele foi punido somente com o cartão amarelo.

De acordo com o clube, a decisão representa uma afronta à instituição e à autoridade da arbitragem brasileira. No texto, o Alviverde ainda cita cotoveladas de Raniele, do Corinthians, e de Pulgar, do Flamengo, também cometidas nesta rodada do Brasileirão, mas que não foram denunciadas pelo STJD.

Documento questiona outras medidas do Tribunal que prejudicaram o Palmeiras neste ano. Abel Ferreira recebeu uma punição inédita de sete jogos de suspensão em abril, Paulinho foi punido por um jogo por comemoração de gol contra o Flamengo, e o atacante Allan pegou um gancho de duas partidas pela expulsão contra a Chapecoense.

Após o retorno da Copa do Mundo, o debate sobre arbitragem voltou a ocupar o centro do futebol brasileiro. E isso não acontece por acaso.

Nos últimos anos, consolidou-se entre torcedores, profissionais do futebol e parte significativa da opinião pública a percepção de que um determinado clube vem sendo reiteradamente beneficiado por decisões de arbitragem. Essa percepção não nasce apenas da rivalidade esportiva. Também encontra respaldo em números.

Levantamento do Espião Estatístico, do ge, mostra que, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até o Campeonato Brasileiro de 2026, o Palmeiras acumula o maior número de decisões alteradas a seu favor (65), o menor número de decisões contrárias entre os principais clubes do país (47) e o maior saldo positivo do futebol brasileiro (+18). Também lidera o número total de intervenções do VAR.

Os números desta edição do Brasileirão seguem na mesma direção. O Palmeiras é a 5ª equipe que mais precisa cometer faltas para receber um cartão amarelo (6,72 faltas por advertência), enquanto seus adversários figuram entre os que mais recebem cartões amarelos e vermelhos ao enfrentá-lo.

Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol.

Também merece reflexão o comportamento adotado dentro e fora de campo. Tornou-se frequente assistir a jogadores e comissões técnicas cercando árbitros, reclamando de forma ostensiva e se colocando na condição de vítimas mesmo após faltas evidentes ou até mesmo um simples lateral. Uma ação estudada e coordenada.

É importante reconhecer os investimentos realizados pela CBF e os avanços promovidos pela Comissão de Arbitragem, com treinamentos, divulgação dos áudios do VAR e implementação de novas tecnologias. No entanto, não são elas que executam as regras que, eventualmente, acabam decidindo jogos. Na partida entre Vitória e Palmeiras, por exemplo, as decisões foram tomadas por Alex Gomes Stefano, em campo, e Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, no VAR.

São os árbitros que interpretam os lances, aplicam as regras e tomam decisões capazes de alterar tabelas, influenciar disputas por títulos, vagas e rebaixamentos. Por isso, também precisam ser responsabilizados quando cometem erros graves, quando são passivos em relação à pressão até mesmo em cobranças de lateral, e quando não coíbem o mau comportamento sistemático, como determinam as regras. A Copa do Mundo, recentemente, mostrou o caminho; árbitros e atletas que lá estiveram, muitos deles jogando no Brasil, lá, atuaram de acordo com a regra do "jogo limpo", e deveriam fazer o mesmo aqui.

O futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo do que a arbitragem. Isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios claros e deixarem de premiar equipes que utilizem a pressão durante todo o jogo como estratégia. As regras devem ser cumpridas, por todos, inclusive pelos árbitros