No futebol, não importa o que aconteça, o que mais vale é o gol. No entanto, há uma série de fatores que podem influenciar o trajeto da bola ao cruzar a linha de meta adversária e morrer no barbante. Entre eles, está um pouco lembrado pelos torcedores: a física. 

Quando um jogador consegue dar um chute perfeito, a probabilidade da física ter entrado em ação para tirar a bola do alcance do goleiro é grande. No caso de chutes com curva, considerados um dos mais perigosos do futebol, o efeito Magnus é essencial. 

No fenômeno físico, quando um objeto em rotação está no ar, um fluido pode desviar sua trajetória natural. Em termos futebolísticos, para curvar a redonda, o jogador precisa chutá-la de forma que ela gire no ar. O lado em que o vento estiver mais forte irá determinar para qual direção a bola vai seguir.

Um exemplo clássico da utilização na prática do efeito Magnus é o chute do ex-lateral da Seleção Brasileira Roberto Carlos durante um amistoso contra a França em 1997. Na ocasião, ele bateu uma falta e a bola parecia seguir para fora. No entanto, ela curvou para dentro e morreu no fundo das redes, sem chance para o goleiro.

O professor de física Vanderlei Bagnato explica que se a bola é finalizada sem girar, ela tende a seguir a trajetória inicial, continuando a subir ou descer e sem tender para nenhum dos lados.

Em contrapartida, se o jogador chuta a bola dando um giro lateral, ela faz uma curva para a esquerda ou para a direita. Isso acontece porque a rotação da bola modifica a maneira como o ar passa ao seu redor.

“Em um lado da bola, o ar se move mais rápido do que a própria bola, arrastando-a; no outro, mais devagar. Essa diferença gera uma força lateral que empurra a bola para o lado. Esse é o efeito Magnus”, explica o especialista do Instituto de Física de São Carlos (USP), em São Paulo, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Entre os principais tipos de finalização que conseguem dar o efeito de giro lateral está o chute “três dedos” ou trivela, no qual o jogador bate na bola com a parte externa do pé, fazendo trajetória da redonda ser curva.

Apesar de ajudar os atletas, nem sempre fazer a bola girar na hora do chute resultará em gol. O sucesso depende de outros fatores que vão além da física, como:

Quanto ao último fator de influência, ele foi muito lembrado durante a disputa da Copa de 2010, na África Sul, quando a bola oficial da competição, a Jabulani, era lisa e mais leve — por isso, fazia mais curvas.

“Menos peso significava que o efeito Magnus era mais intenso nessa bola e ela fazia curvas significativas mesmo com relativamente pouca rotação. Por isso, é importante os jogadores treinarem nas mais variadas condições, assim eles aprendem a ajustar sua técnica para diferentes climas e ambientes”, afirma o pesquisador Pedro Alvarez, da Universidade de Oldenburg, na Alemanha, e apoiado pelo IDOR Ciência Pioneira.

Na hora de dar uma finalização que decida o jogo, o sucesso do chute não depende mais de um fator em específico. Bagnato afirma que o atleta define qual a velocidade, direção, ângulo e rotação que a bola é chutada, enquanto a física determina a gravidade, resistência do ar, vento e efeito Magnus que irão estabelecer onde a pelota vai chegar.

Alvarez diz que a física é mais eficiente quando a técnica do chute é mais precisa. “Bons jogadores conseguem chutar a bola de uma forma que a faz girar. O jogador consegue controlar o giro da bola usando a força do chute e a posição do pé na bola. É algo que pode ser aprendido com muito treino e técnica”, ensina o pesquisador.

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