Até o início das negociações por Kaiki Bruno, do Cruzeiro, o Como 1907 era um clube desconhecido para grande parte da torcida. No entanto, o mundo do futebol ouve cada vez mais sobre o time, cujo estádio fica localizado em uma das regiões mais charmosas da Itália.
Após passar por duas falências e chegar à quarta divisão italiana, a equipe protagonizou uma reconstrução acelerada e voltou à elite do país após mais de duas décadas. A transformação tem como pilares investimento bilionário, planejamento esportivo e uma estratégia que vai além das quatro linhas.
Adversário frequente dos principais clubes da Itália e cada vez mais ativo no mercado de transferências, o Como tornou-se um dos projetos mais interessantes do futebol europeu. A chegada de investidores asiáticos, a presença de nomes históricos do esporte e uma gestão voltada para o crescimento sustentável explicam a rápida evolução da equipe.
Fundado em 25 de maio de 1907, o Como nasceu na cidade homônima, localizada às margens do Lago de Como, um dos destinos turísticos mais famosos da Itália. Ao longo do século XX, o clube alternou participações entre as principais divisões do futebol italiano e viveu seu melhor momento na temporada 1949/50, quando terminou a Serie A na 6ª colocação.
O tradicional Estádio Giuseppe Sinigaglia, inaugurado em 1928 e localizado à beira do lago, tornou-se um dos cenários mais emblemáticos do futebol italiano, combinando o charme da paisagem com a história centenária da equipe.
Apesar da tradição, o clube enfrentou uma grave crise financeira no início dos anos 2000. Em 2004, declarou falência e foi excluído das competições profissionais. Depois de conseguir se reorganizar, voltou a sofrer problemas econômicos e decretou uma nova falência em 2016. No ano seguinte, foi refundado e reiniciou sua caminhada na Serie D, equivalente à quarta divisão do futebol italiano.
A grande virada da história recente aconteceu em 2019, quando o Como foi adquirido pela Sent Entertainment, empresa controlada pelo Grupo Djarum, conglomerado da Indonésia pertencente aos irmãos Robert Budi Hartono e Michael Bambang Hartono.
Os Hartono figuram entre as pessoas mais ricas da Ásia. A fortuna construída a partir dos negócios da Djarum — uma das maiores fabricantes de cigarros do mundo — também inclui investimentos nos setores bancário, tecnológico, imobiliário e de entretenimento.
Desde a compra do clube, os investidores deixaram claro que o objetivo não era apenas recolocar o Como na primeira divisão, mas construir uma marca internacional, aproveitando o potencial turístico da cidade e do Lago de Como para ampliar receitas e tornar o clube financeiramente sustentável.
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O investimento rapidamente apareceu dentro de campo. Já em 2019, o Como conquistou o acesso à Serie C. Dois anos depois, subiu para a Serie B e iniciou um processo consistente de fortalecimento do elenco, da estrutura e do departamento de futebol.
O projeto também passou a reunir nomes conhecidos do futebol mundial. O ex-dirigente do Chelsea, Dennis Wise, assumiu papel importante na administração esportiva, enquanto os ex-jogadores Cesc Fàbregas e Thierry Henry tornaram-se acionistas minoritários do clube.
Fàbregas, inclusive, encerrou sua carreira como jogador vestindo a camisa do Como e iniciou no clube sua trajetória como treinador, entre 2023 e 2024. O ex-meia espanhol rapidamente ganhou protagonismo no projeto e tornou-se um dos símbolos da nova fase da equipe.
A temporada 2023/24 marcou o ponto mais alto da reconstrução. Vice-campeão da Serie B, o Como garantiu o retorno à Serie A após 21 anos longe da principal divisão italiana.
Na última temporada, a equipe ficou em 4ª lugar, atrás de Internazionale, Napoli e Roma e à frente de Milan, Juventus e Atalanta. A posição lhe rendeu classificação à Liga dos Campeões da Europa de 2026/27