Mohamed Salah já foi protagonista de noites inesquecíveis na Liga dos Campeões, transformou a história do Liverpool e se consolidou como um dos maiores jogadores africanos de todos os tempos. Mas sua influência nunca se limitou ao futebol.
Enquanto busca levar o Egito às oitavas de final da Copa do Mundo no duelo decisivo contra a Austrália, o atacante de 34 anos chega ao mata-mata carregando um legado que ultrapassa o campo.
Durante os oito anos em que defendeu o Liverpool, Salah tornou-se um fenômeno esportivo e social. Um estudo da Universidade de Stanford, realizado entre 2017 e 2019, apontou que sua presença na cidade inglesa coincidiu com uma redução de 19% nos crimes relacionados ao preconceito contra muçulmanos em Liverpool.
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A pesquisa também identificou queda de 53% nas publicações de teor anti-islâmico feitas por torcedores dos considerados oito maiores clubes da Premier League, resultado que não foi observado em nenhum outro tipo de discurso de ódio avaliado.
O impacto foi atribuído pelos pesquisadores ao desempenho esportivo e à maneira como Salah sempre viveu sua fé publicamente. Após os gols, repetia a tradicional celebração muçulmana, ajoelhando-se em oração com a cabeça apoiada no chão. Longe de esconder suas crenças, transformou um gesto cotidiano em símbolo de representatividade para milhões de pessoas.
Em maio deste ano, encerrou uma das passagens mais marcantes da história do Liverpool. Deixou o clube como terceiro maior artilheiro de todos os tempos, com 255 gols, além de nove títulos conquistados, entre eles a Liga dos Campeões, o Mundial de Clubes e duas edições da Premier League. Livre no mercado, ainda não definiu qual será o próximo destino da carreira.
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Agora, a missão é outra. Salah tenta conduzir o Egito à maior campanha de sua história em Copas do Mundo. Até aqui, soma duas assistências e um gol marcado na edição de 2026, sendo decisivo na vitória sobre a Nova Zelândia, resultado que representou o primeiro triunfo da seleção egípcia na história das Copas.
Sua participação diante da Austrália, porém, segue indefinida. O atacante sofreu uma distensão no músculo isquiotibial e virou dúvida para o confronto eliminatório. O técnico Hossam Hassan evitou confirmar sua escalação, mas deixou claro que pretende utilizá-lo apenas se houver total segurança quanto às condições físicas.
"Salah é um jogador muito entusiasmado e está ansioso para contribuir, mas só vou arriscá-lo se tiver 100% de certeza de que ele está totalmente pronto", afirmou o treinador. Em seguida, completou: "Não tenho certeza se ele vai começar a partida, mas pretendo colocá-lo em campo."
Se entrar em campo, Salah terá a chance de perseguir mais uma marca histórica. Além de tentar levar o Egito pela primeira vez às oitavas de final de uma Copa do Mundo, o atacante está a apenas dois gols de se tornar o maior artilheiro da história da seleção egípcia.
Hoje, o recorde pertence justamente ao técnico Hossam Hassan, com 69 gols. Salah soma 68 e, caso balance as redes duas vezes diante da Austrália, ultrapassará o próprio treinador para assumir, de forma isolada, o topo da lista de maiores goleadores do país.
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