Martin Brundle defendeu uma revisão das regras de limites de pista da Fórmula 1 após a punição sofrida por Kimi Antonelli durante as voltas finais do GP da Inglaterra.

Segundo o ex-piloto, a penalização de cinco segundos não deveria ter sido aplicada, já que o italiano não obteve qualquer vantagem competitiva ao deixar o traçado.

Antonelli ocupava a segunda posição e reduzia a diferença para Charles Leclerc quando enfrentou um problema mecânico na volta 41 das 52 disputadas em Silverstone.

Naquele momento, o defletor da roda dianteira esquerda do Mercedes W17 se desprendeu. Como resultado, o comportamento do carro mudou completamente.

Por causa da avaria, o piloto de 19 anos precisou lutar para manter o controle do monoposto. Consequentemente, saiu da pista em diversas ocasiões e acumulou quatro infrações por exceder os limites do circuito.

Assim, conforme determina o regulamento atual, a quarta violação resultou automaticamente em uma penalização de cinco segundos.

Embora os comissários tenham reconhecido a existência da falha mecânica, eles concluíram que o problema não configurava um “motivo justificável” para deixar a pista. Dessa forma, mantiveram a aplicação da punição prevista nas regras.

Antonelli já havia entrado nos boxes e perdido várias posições. Depois, recebeu a bandeirada em nono lugar. No entanto, devido ao acréscimo dos cinco segundos, caiu para a 16ª posição na classificação final.

Durante a transmissão da Sky Sports F1, Brundle não poupou críticas à decisão dos comissários.

“Os limites de pista servem para punir ganho de performance, não uma situação de sobrevivência”, afirmou.

O ex-piloto destacou que existe uma diferença clara entre um competidor que deliberadamente corta caminho para ganhar tempo e outro que apenas tenta levar um carro seriamente danificado até a linha de chegada.

Em sua análise após a corrida, Brundle reconheceu que Antonelli também pode tirar um aprendizado do episódio.

“Foi de partir o coração para ele. Ainda assim, fica mais uma lição porque ele não explicou de forma suficientemente clara os problemas que enfrentava ao entrar nos boxes”, escreveu.

O comentarista reforçou que o regulamento precisa de ajustes para evitar punições semelhantes no futuro.

“Essa regra precisa ser modificada. As punições por limites de pista existem quando os pilotos ganham vantagem competitiva ao cortar curvas ou sair da pista e assim conseguem manter mais velocidade”, argumentou.

Apesar do resultado decepcionante em Silverstone, Antonelli segue na liderança do mundial de pilotos com 179 pontos.

Ele mantém uma vantagem de 25 pontos sobre o companheiro de equipe George Russell, que terminou a prova em segundo atrás de Leclerc. Lewis Hamilton completou o pódio na terceira colocação.

A Mercedes aceitou a punição prevista pelo regulamento e decidiu não recorrer da decisão. Mesmo assim, o episódio reacendeu o debate sobre a aplicação das regras de limites de pista quando um piloto enfrenta problemas mecânicos totalmente fora de seu controle.

Brundle ressaltou que a entrada do safety car nas voltas finais acabou ampliando o impacto da punição. Sem essa intervenção, na visão do britânico, Antonelli praticamente não sofreria consequências na classificação.

“Mesmo assim, o ritmo dele era forte o suficiente para cumprir a penalização durante a corrida e ainda terminar à frente das duas Alpine”