Quando o Marrocos entrar em campo contra a França pelas quartas de final da Copa do Mundo, a seleção representará um país governado pela mesma dinastia há quase quatro séculos. A família real também mantém uma relação direta com o futebol: nas últimas duas décadas, o rei Mohammed VI apoiou a criação de academias e centros de treinamento que integram o projeto de desenvolvimento do esporte no país.
Mohammed VI ocupa o trono desde 1999, quando sucedeu o pai, Hassan II. A dinastia alauíta chegou ao poder no século XVII e consolidou seu domínio sobre o Marrocos a partir de 1664. O atual herdeiro é o príncipe Moulay Hassan.
A família real também possui participações em alguns dos principais setores da economia marroquina. Em 2015, última estimativa amplamente divulgada pela Forbes, a fortuna de Mohammed VI era calculada em 5,7 bilhões de dólares. Parte dos negócios está ligada à Al Mada, holding com investimentos em bancos, mineração, energia, telecomunicações e varejo.
A residência oficial do rei é o Dar al-Makhzen, em Rabat. O complexo murado abriga o palácio real, prédios administrativos, jardins e estruturas da Guarda Real. A família dispõe ainda de outras residências no país.
A ligação de Mohammed VI com o futebol ganhou forma em 2009, com a criação da academia que leva seu nome, em Salé. O centro foi concebido para identificar e formar jovens jogadores e se tornou uma das estruturas do sistema de desenvolvimento de atletas do país.
Entre os jogadores formados pela academia estão nomes que chegaram à seleção principal. O modelo combina a formação local com o recrutamento de atletas da diáspora marroquina, sobretudo na Europa.
A estrutura foi ampliada em 2019 com a inauguração do Complexo Mohammed VI de Futebol. Instalado em uma área de cerca de 30 hectares, o centro reúne campos de treinamento, instalações médicas, hospedagem e espaços destinados às seleções nacionais.
O financiamento do futebol também envolve empresas ligadas ao Estado. Em 2024, o grupo OCP, gigante marroquino do setor de fosfatos e fertilizantes, anunciou, ao lado da federação de futebol e de parceiros privados, um fundo voltado à formação de jogadores.
Os investimentos ocorreram antes dos principais resultados recentes da seleção. Em 2022, o Marrocos se tornou o primeiro país africano a chegar a uma semifinal de Copa do Mundo. Quatro anos depois, voltou às quartas de final do torneio