Marcos Nogueira fala de comida de verdade, receitas e gastronomia com humor (bom e mau)

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Fosse ditador do país, eu proibiria TV ligada em bares e restaurantes. Como não sou, sujeito-me com demasiada frequência à gritaria do Craque Neto e seus genéricos enquanto engulo um feijão mequetrefe ou uma cerveja. Ficou difícil encontrar um boteco sem TV. Culpe a Copa do Mundo —não apenas esta, mas as quatro ou cinco edições mais recentes.

Desde que televisão virou um negócio fino, leve e relativamente barato, os bares competem para ter mais e maiores aparelhos. Como a tecnologia evolui bastante em quatro anos, a cada mundial temos TVs mais gigantes.

Eu também gosto de ver a Copa no boteco, o problema é que as TVs não desaparecem por mágica quando a Copa termina. Para fazer valer o investimento, essas máquinas de baixo consumo energético permanecem ligadas durante todo o expediente.

Até 2030, nos forçarão a ver no boteco as séries B, C e D do Brasileirão; os estaduais Capixabão, Potiguarzão e Amapaensão; disputas internacionais como o Sauditão e quem sabe até o Chinesão.

Sucede que nem sempre haverá futebol. Então dá-lhe reprise de novela dos anos 1990, tome a coleção dos hits sertanejos de 2014, aguente panorâmicas de drone do Brasil sem porteira.

Por agora, ainda temos um último jogo da Copa. Vamos então com um tira-gosto para acompanhar a final em casa —não na TV de 576 polegadas do botequim.

Escolhi um petisco espanhol não porque vá torcer para a Espanha (vou), mas porque fiz a receita antes de a Argentina ensacar os ocupantes das ilhas Malvinas. As patatas bravas são batatas fritas com molho picante, algo maroto para vender mais cerveja.

A receita do molho varia. Optei por uma vegana, pois de carnívoros bastam os argentinos. Nesta versão, cor e calor vêm da páprica: se der, use o pimentón defumado espanhol. Rende 4 a 6 porções.

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